Após embate judicial, show de Alok é liberado e acontece neste sábado em Teresina
Decisão do desembargador Mário Basílio de Melo, do TJ-PI, derrubou suspensão determinada na véspera e autorizou a realização do evento "AUREA – Alok e Convidados" na Arena Carhoo
A poucas horas do início da apresentação, o Tribunal de Justiça do Piauí (TJ-PI) liberou neste sábado (25) a realização do show "AUREA – Alok e Convidados", em Teresina. A decisão, assinada pelo desembargador plantonista Mário Basílio de Melo, derruba a suspensão determinada na sexta-feira (24) pelo juiz Litelton Vieira de Oliveira, da 2ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública, e encerra — ao menos por ora — um intenso embate judicial que mobilizou o governo estadual, a produtora responsável e o Ministério Público.
A apresentação, marcada para a Arena Carhoo, na Zona Sudeste da capital, é a primeira parada da AUREA Tour no Nordeste e conta com uma estrutura monumental, incluindo um cenário em formato de pirâmide de aproximadamente 30 metros de altura — equivalente a um prédio de dez andares.
O que motivou a suspensão
O caso teve início na sexta-feira, quando o juiz Litelton Vieira acolheu pedido formulado em ação popular que questionava o contrato de patrocínio de R$ 1,8 milhão firmado entre a Secretaria de Estado do Turismo (Setur) e a empresa Kalor Produções, responsável pela organização do evento. Na decisão, o magistrado apontou risco de dano ao erário e determinou a suspensão de qualquer pagamento relacionado ao contrato, além de fixar multas pessoais em caso de descumprimento.
Inicialmente, o TJ-PI manteve a suspensão ao analisar os primeiros recursos apresentados pela Kalor Produções e pelo Governo do Estado. Em uma das decisões, o tribunal chegou a afirmar que autorizar a realização do show poderia consolidar "prejuízo irreversível aos cofres públicos".
A virada no plantão
A reviravolta ocorreu neste sábado, quando o desembargador Mário Basílio de Melo, atuando em regime de plantão, deferiu liminar favorável à realização do evento. Para o magistrado, o show tem natureza privada, cabendo ao Estado do Piauí o papel exclusivo de patrocinador, sem ingerência sobre a organização, gestão ou execução da apresentação.
Segundo a fundamentação, a empresa Kalor Produções é a responsável exclusiva pelo evento, enquanto o Estado firmou contrato de patrocínio com previsão de contrapartidas institucionais e sociais — modelo que, conforme a Lei nº 14.133/2021 (Nova Lei de Licitações), permite o patrocínio público a eventos privados quando há interesse coletivo, transparência e contrapartidas claras.
Repercussão e impacto econômico
A Kalor Produções emitiu nota celebrando a decisão e reafirmando o compromisso com a legalidade e a transparência. A empresa destacou que o investimento total no evento supera significativamente o aporte estatal e que mais de 1.500 profissionais estão envolvidos na execução. Setores como hotelaria, alimentação e comércio em Teresina já vinham sentindo os efeitos da movimentação provocada pelo show ao longo da semana — Alok está na capital piauiense desde quarta-feira (22).
O governador Rafael Fonteles havia projetado, em manifestações anteriores, que o evento deve injetar cerca de R$ 50 milhões na economia local, considerando a vinda de turistas, gastos em serviços e geração de empregos temporários.
A polêmica continua
Apesar da autorização para a realização do show, o debate público sobre a legitimidade do uso de recursos estaduais em eventos dessa natureza não se encerra. Em agosto de 2025, outro show de Alok no interior do Piauí já havia sido cancelado por decisão judicial sob argumentos semelhantes, o que evidencia que o tema deve seguir sendo objeto de discussão jurídica e política nos próximos meses.
A apresentação "AUREA – Alok e Convidados", que tem entrada gratuita e conta também com o Banco do Brasil como apresentador e patrocínio de empresas privadas, está mantida para este sábado.
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